Duas amigas da cidade
grande são atraídas pelo anúncio de um grande evento numa cidade pequena
localizada no estado vizinho e que elas ainda não conhecem. Ficam entusiasmadas
pela aventura e planejam direitinho a pequena viagem juntas.
Chega o dia tão esperado,
um domingo, acordam com o canto do galo, se aprontam rapidamente e se deslocam
de suas casas para a rodoviária onde se encontram.
- Bom dia amiga! É hoje!
Está pronta?
- Nossa! Se estou!
Morrendo de sono mas ansiosa pelo passeio. Vamos tomar um café para despertar,
Chiquinha?
- Sim, claro, vamos,
Maria. Ainda temos um tempo.
E lá se vão Maria e
Chiquinha – quase – saltitantes pelos corredores ainda vazios da rodoviária até
o bar onde saboreiam uma média e pão com manteiga aquecido na chapa.
Tão extasiadas estão e
entretidas planejando o que fariam no destino, que se assustam quando ouvem
seus nomes sendo chamados pelos autofalantes:
- Última chamada! – grita
uma voz já irritada no início da manhã.
As duas amigas saem
correndo, descem as escadas, chegam afobadas na plataforma de embarque, mostram
as passagens e, rindo muito, sobem no ônibus prestes a partir.
- Ufa! Essa foi por pouco,
não?
A viagem transcorre dentro
da normalidade com duração de quatro horas de percurso e quatro paradas em
quatro cidadezinhas no caminho. As duas tricotam um tanto e depois cochilam e
refazem as energias para o dia que apenas começava.
Finalmente chegam ao
destino. O dia ia alto, céu azul, pássaros cantando, passageiros se dispersam,
elas olham em volta, fazem fotos para registrar o momento e vislumbram um local
para almoçar um bom peixe frito típico do local.
- hummmm que delícia!!!
– exclama Chiquinha.
Dali seguem para o evento
que ocorria naquele fim de semana animando e colorindo a cidade.
Lá chegando comem tudo com
os olhos, procurando memorizar cada detalhe, cada item exposto, observam as
pessoas vindas de diferentes lugares atraídas pela mesma curiosidade que as
havia atraído para aquele longínquo lugar, no único dia de semana de descanso
do trabalho.
- Que maravilha, quanta
novidade, se eu pudesse ficaria por uns dias aqui.
- Maria, que tal voltarmos
noutro dia para conhecermos melhor a cidade?
- Uau! Que bela ideia,
Chiquinha! Eu topo sim!
A tarde passa voando. Elas
participam de um bate-papo muito animado e, quando se dão conta, faltam apenas
25 minutos para o ônibus partir. As amigas entreolham-se e buscam pela saída
mais próxima sem nada falar de tanta afobação.
Chegam à rua, acostumadas
com a cidade grande onde vivem, esperando encontrar um taxi disponível e à sua
disposição bem em frente ao local, mas... onde estavam? Não havia dúvida alguma
que ali não. Os minutos escoam pelos dedos acelerados pelo tique e taque dos
relógios que anunciam a cada instante que o tempo se evapora.
- Meu Deus! Vamos perder o
ônibus!
- Estamos tão perto que
poderíamos ir a pé se tivemos mais tempo – comenta Chiquinha.
Fazem sinal para o ônibus
circular mas o motorista lhes informa que passaria por outro bairro antes de
voltar e passar pela rodoviária.
- Melhor irem à pé. –
disse ele.
- Se tivéssemos tempos,
iriamos mesmo. – pensa alto Maria.
Mas eis que o inesperado,
o não planejado e nem de longe sonhado pelas amigas, acontece.
Um lindo príncipe em
seu alazão branco vem em sua direção “pilotando” uma carruagem dourada
enfeitada com flores e muito perfumada por elas.
- Amiga, vamos a cavalo! –
alegra-se Maria.
- Boa tarde, senhoritas,
querem fazer um passeio pela cidade? – convida o príncipe.
- Moço, queremos sim,
agradecidas. Mas precisamos mesmo é pegar o ônibus em 15 minutos. – diz Maria.
- Uai, sô! Então eu as
levarei para lá. Vamos subam! – Convidou o educado cavaleiro.
E assim, elas – quase –
saltitantes, embarcam de volta aos lares, sonhando com o dia que retornarão
àquela simpática cidadezinha onde príncipes salvam as princesas em perigo.
Miniconto publicado em Cooperativa das Letras em 04/05/2013 -